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Acesso abertoAnálise completaNov 3, 2026

Eixo microbiota oral–hospedeiro na endometriose: revisão sistemática sobre Fusobacterium nucleatum

A evidência atual não sustenta associação consistente ou causal entre F. nucleatum e endometriose; os dois estudos de tecido direto são conflitantes e toda a evidência humana é de certeza muito baixa.

Nível de evidênciaCObservacional / estudo clínico pequeno
Tipo de estudonarrative_review
Amostra384
Direção do efeitoInsuficiente
CertezaBaixa
Aplicabilidade clínicaBaixa
Risco de superinterpretação1/5 · Baixo
PICO
PopulaçãoMulheres com endometriose confirmada (diagnóstico cirúrgico ou histológico); estudos animais de endometriose experimental
IntervençãoPresença/abundância de Fusobacterium nucleatum ou táxons do complexo F. nucleatum em amostras de tecido endometrial, microbioma oral, vaginal ou peritoneal
ComparadorMulheres sem endometriose (controles saudáveis ou sem dor pélvica) ou animais sem indução de endometriose
DesfechoFusobacterium positivity in endometrial tissue (cases vs. controls); Oral Fusobacterium abundance by endometriosis stage; Vaginal F. animalis depletion in chronic pelvic pain with endometriosis; TGF-β-mediated endometriotic lesion growth (animal model); F. nucleatum-associated fibrosis in endometriotic lesions (experimental)

Resumo de achados

DesfechoEfeitoIC 95%CertezaRelevância clínicaNotas
Positividade de Fusobacterium em tecido endometrial (casos vs. controles)Muraoka et al.: 64.3% vs 7.1% (n=42 vs 42), in the IC reported; Graciano-Espana et al.: in the significant difference (n=55 vs 37), in the effect size reported—Baixa—2 studies
Abundância oral de Fusobacterium por estágio de endometrioseEnrichment in moderate/severe endometriosis reported qualitatively; in the quantitative effect size or IC provided—Baixa—1 studies
Depleção vaginal de F. animalis em dor pélvica crônica com endometrioseDepletion reported qualitatively; in the quantitative effect size or IC provided—Baixa—1 studies
Crescimento de lesões endometrióticas mediado por TGF-β (modelo animal)Single translational study; in the pooled effect size; in the IC reported; in the independent replication—Muito baixa—1 studies
Fibrose associada a F. nucleatum em lesões endometrióticas (experimental)Single translational study; in the quantitative pooled effect; in the IC; in the independent replication—Muito baixa—1 studies

Contexto

Endometriose afeta ~190 milhões de mulheres e sua patogênese permanece incompleta. A hipótese de translocação microbiana oral–pélvica ganhou atenção após relatos de F. nucleatum em lesões endometriais, mas a consistência dos dados era desconhecida. Esta revisão sistematiza a evidência disponível antes que ela oriente prática clínica ou pesquisa terapêutica.

O que o estudo mostrou

Quatro estudos humanos (384 participantes em nível de estudo) foram incluídos. Muraoka et al. detectou Fusobacterium em 64,3% (27/42) das amostras endometriais de casos versus 7,1% (3/42) de controles; Graciano-España et al. não encontrou diferença significativa de abundância de F. nucleatum entre 55 casos e 37 controles. Estudos de microbioma indiretos relataram enriquecimento oral de Fusobacterium em endometriose moderada/grave e depleção vaginal de F. animalis em dor pélvica crônica associada à endometriose. A evidência experimental de crescimento de lesões via TGF-β provém de um único estudo translacional sem replicação independente.

Como foi feito

Revisão sistemática seguindo PRISMA 2020; bases PubMed/MEDLINE, Embase, Web of Science e Google Scholar pesquisadas até 31 de agosto de 2026. Risco de viés avaliado por ROBINS-I adaptado (estudos humanos observacionais) e SYRCLE (estudos animais). Meta-análise foi considerada inapropriada devido à heterogeneidade substancial em compartimentos anatômicos, métodos de detecção e desfechos; síntese qualitativa foi adotada.

Magnitude do efeito

Não há tamanho de efeito pooled; dados são qualitativos. O único dado quantitativo comparável é de Muraoka et al.: positividade de 64,3% vs. 7,1% em subconjunto de 42×42, sem IC 95% reportado na revisão. Esse achado é não replicado e conflita com o estudo seguinte.

Risco de viés

Todos os estudos humanos foram julgados com risco de viés sério (ROBINS-I); certeza da evidência é muito baixa pelo GRADE. Heterogeneidade nos compartimentos anatômicos amostrados, métodos de detecção (PCR, sequenciamento 16S, cultura) e definições de caso impedem síntese quantitativa. Controle de contaminação não padronizado e ausência de pareamento anatômico comprometem a validade interna. Estudos animais avaliados por SYRCLE carecem de replicação independente.

Limite de interpretação

O que este estudo NÃO prova

Esta revisão não prova causalidade, translocação microbiana oral–pélvica, nem eficácia de qualquer intervenção antimicrobiana. Os achados não são generalizáveis além das populações estudadas (predominantemente asiáticas e latinas) nem confirmam F. nucleatum como alvo terapêutico.

Na prática clínica

Não há base para recomendar rastreio de F. nucleatum, intervenção na microbiota oral ou terapia antimicrobiana em pacientes com endometriose. O diagnóstico e o manejo seguem diretrizes estabelecidas. Profissionais podem informar pacientes que o papel de F. nucleatum é biologicamente plausível, mas não demonstrado.

Limitações

Todos os estudos humanos foram julgados com risco de viés sério (ROBINS-I); certeza da evidência é muito baixa pelo GRADE. Heterogeneidade nos compartimentos anatômicos amostrados, métodos de detecção (PCR, sequenciamento 16S, cultura) e definições de caso impedem síntese quantitativa. Controle de contaminação não padronizado e ausência de pareamento anatômico comprometem a validade interna. Estudos animais avaliados por SYRCLE carecem de replicação independente.

O que ainda falta

Estudos caso-controle com amostragem pareada de múltiplos sítios anatômicos, controle rigoroso de contaminação, análise em nível de cepa e delineamento longitudinal são necessários para estabelecer temporalidade e causalidade.

Apêndice técnico

Histórico de versão

  • 1.0 · 2026-11-03 — Auto-generated under Evidence Standard v1.0

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