TMF para constipação crônica: meta-análise sistemática com framework tri-metodológico
O TMF favorece a taxa de resposta clínica total em constipação crônica (RR ajustado = 1,21; IC 95%: 1,10–1,33), mas todos os RCTs incluídos apresentam alto risco de viés e o efeito é atenuado após correção de viés de publicação.
| População | Adultos com constipação crônica (RCTs: n=1040; estudos de braço único: n=403; coortes: n=422) |
|---|---|
| Intervenção | Transplante de microbiota fecal (TMF), independentemente da via de administração ou protocolo |
| Comparador | Controle (placebo, sham, laxativos ou sem intervenção) — nos RCTs; ausência de comparador nos estudos de braço único |
| Desfecho | Clinical total response rate (trim-and-fill adjusted); Clinical total response rate (unadjusted); Wexner score (constipation severity); Remission/improvement rate (single-arm studies); Safety (serious adverse events); Constipation-related quality of life (PAC-QOL); Stool consistency (Bristol Stool Form Scale — BSFS) |
Resumo de achados
| Desfecho | Efeito | IC 95% | Certeza | Relevância clínica | Notas |
|---|---|---|---|---|---|
| Taxa de resposta clínica total (ajustada por trim-and-fill) | RR 1.21, 95% CI 1.10-1.33 | — | Moderada | — | 12 studies |
| Taxa de resposta clínica total (não ajustada) | RR 1.36, 95% CI 1.21-1.52, P<0.001 | — | Moderada | — | 12 studies |
| Escore de Wexner (gravidade da constipação) | MD -2.08, 95% CI -3.35 to -0.81, P=0.003 | — | Moderada | — | |
| Taxa de remissão/melhora (estudos de braço único) | proportion 0.517, 95% CI 0.403-0.629 | — | Baixa | — | 8 studies |
| Segurança (eventos adversos graves) | no serious adverse events reported, follow-up up to 24w | — | Baixa | — | |
| Qualidade de vida relacionada à constipação (PAC-QOL) | pre-post improvement reported, in the between-group effect size available | — | Baixa | — | |
| Consistência das fezes (Escala de Bristol — BSFS) | pre-post improvement reported, in the between-group effect size available | — | Baixa | — |
Contexto
Constipação crônica afeta 12–17% dos adultos globalmente; tratamentos convencionais falham em casos refratários. O TMF emerge como estratégia de reequilíbrio microbiano, porém sua eficácia carecia de avaliação sistemática robusta que integrasse diferentes desenhos de estudo.
O que o estudo mostrou
Nos 12 RCTs, a taxa de resposta clínica total ajustada por trim-and-fill foi RR = 1,21 (IC 95%: 1,10–1,33); o estimador não ajustado era RR = 1,36 (IC 95%: 1,21–1,52, P < 0,001), reduzido após correção de viés de publicação (Harbord P = 0,003). O escore de Wexner melhorou em média −2,08 pontos (IC 95%: −3,35 a −0,81, P = 0,003) em favor do TMF. Nos 16 estudos de braço único, a taxa de remissão foi 51,7% (IC 95%: 40,3–62,9%), mas esses dados não estabelecem causalidade. Nenhum evento adverso grave foi relatado em seguimento de até 24 semanas.
Como foi feito
Meta-análise sistemática com framework 'três em um': (1) meta-análise de efeitos aleatórios em RCTs; (2) meta-análise proporcional de braço único com transformação Freeman-Tukey; (3) análise de sensibilidade pré-pós pareada. Bases pesquisadas: CENTRAL, PubMed, Embase, CNKI. Incluídos 12 RCTs (n=1040), 16 estudos de braço único (n=403) e 4 coortes (n=422). Seguimento máximo de 24 semanas.
Magnitude do efeito
RR ajustado = 1,21 (IC 95%: 1,10–1,33) para resposta clínica total; MD do Wexner = −2,08 (IC 95%: −3,35 a −0,81). Ambos os efeitos são estatisticamente significativos, mas de magnitude modesta e com heterogeneidade elevada não quantificada no resumo disponível.
Risco de viés
Todos os RCTs incluídos apresentam alto risco de viés (ferramenta não nomeada explicitamente, inferida como RoB 2). Viés de publicação confirmado pelo teste de Harbord (P = 0,003), exigindo correção por trim-and-fill que reduziu o RR de 1,36 para 1,21. Heterogeneidade elevada entre estudos, protocolos de TMF heterogêneos (via, dose, doador), ausência de dados de segurança a longo prazo (>24 semanas) e ausência de comparadores sham padronizados limitam a interpretação.
O que este estudo NÃO prova
Este estudo não prova causalidade entre TMF e melhora da constipação crônica, pois todos os RCTs têm alto risco de viés e há viés de publicação confirmado. Os dados de braço único e coorte não permitem inferência causal e não se aplicam a populações pediátricas ou com comorbidades gastrointestinais estruturais.
Na prática clínica
O TMF pode ser considerado em casos de constipação crônica refratária a tratamentos convencionais, com expectativa de resposta modesta (RR ~1,21 vs. controle). O profissional deve informar o paciente sobre a ausência de dados de segurança além de 24 semanas e a variabilidade dos protocolos disponíveis. Não há evidência suficiente para recomendar protocolo específico de administração.
Limitações
Todos os RCTs incluídos apresentam alto risco de viés (ferramenta não nomeada explicitamente, inferida como RoB 2). Viés de publicação confirmado pelo teste de Harbord (P = 0,003), exigindo correção por trim-and-fill que reduziu o RR de 1,36 para 1,21. Heterogeneidade elevada entre estudos, protocolos de TMF heterogêneos (via, dose, doador), ausência de dados de segurança a longo prazo (>24 semanas) e ausência de comparadores sham padronizados limitam a interpretação.
O que ainda falta
RCTs controlados por sham com mascaramento adequado, protocolos padronizados de TMF e seguimento ≥12 meses são necessários para estabelecer eficácia causal e perfil de segurança a longo prazo.
Apêndice técnico
Histórico de versão
- 1.0 · 2026-09-19 — Auto-generated under Evidence Standard v1.0
